Greve prejudica aluno no Enem

julho 7, 2009 at 9:53 am 2 comentários

A menos de três meses para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os professores da rede pública estadual decidiram cruzar os braços ontem. A categoria entrou em greve por tempo indeterminado para pressionar o governo a pagar um reajuste de 19,2% em cima do Piso Salarial Nacional de Magistério, implantado no ano passado com o valor de R$ 950. O salário pleiteado é de R$ 1.132,40. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) quer que todos os professores, cerca de 50 mil ativos e inativos, sejam contemplados. Pernambuco foi o 1º estado brasileiro a implantar o piso da categoria. O governo alega, no entanto, que não tem condições de mexer no orçamento deste ano e que os professores assinaram acordo no ano passado mantendo o valor inicial do piso para todo 2009. A reivindicação causaria um impacto de R$ 106 milhões, por mês, na folha de pagamento do estado. A paralisação deve adiar a volta às aulas dos 963 mil estudantes da rede, que estavam em recesso, prevista para quinta-feira. Desses, 120 mil farão o Enem.

Até o fechamento desta edição, às 21h, não havia data para uma nova rodada de negociação. A próxima assembleia da categoria acontece sexta-feira, às 14h, em frente à sede da Secretaria de Educação do Estado (SEE). A greve geral foi definida ontem durante uma assembleia em que participaram cerca de 3 mil docentes, na quadra do IEP, na Boa Vista. Os professores justificam que o artigo 5º da Lei 11.738/2008, que criou o Piso Nacional, prevê um reajuste anual baseado no aumento do custo por aluno repassado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb). Este ano, o aumento foi de 19,2%. Os professores entendem que esse mesmo percentual deveria ser dado aos profissionais ativos desde o salário de janeiro e estendido aos aposentados.

Só que o Sintepe assinou um acordo com o governo 40 dias antes da aprovação da Lei Federal, no início de junho de 2008, em que concordava em manter os R$ 950 para este ano, proposta ratificada pela Secretaria de Administração (SAD). Agora, o Sindicato voltou atrás. “Queremos o pagamento retroativo a janeiro, que é o que a lei determina”, afirmou o presidente do Sintepe, Heleno Araújo. A SAD justificou que o orçamento do ano foi fechado levando em conta o acordo feito com os professores em 2008 e que essa reivindicação de agora poderia causar desequilíbrio nas contas do estado. A assessoria de imprensa da Secretaria informou que já a partir de novembro, o valor do piso hoje de R$ 950 passará a ser o salário base da categoria, sem contar com as gratificações.

As negociações entre governo e Sindicato começaram em abril. Com a proximidade do fim do recesso de julho e a realização do Enem, nos dias 3 e 4 de outubro, os professores optaram pela greve para pressionar o governo a resolver a questão salarial o mais rápido possível. Após a assembleia, apesar da forte chuva que caiu ontem, os docentes saíram em passeata rumo ao Palácio do Campo das Princesas. Para entregar a pauta de reivindicação à Casa Civil, paralisaram o trânsito na Ponte Princesa Isabel. A manifestação durou 30 minutos. Suficientes para irritar os motoristas no início da tarde.

Os mais prejudicados com a greve dos professores são os alunos que estão no último ano do ensino médio e participarão do Enem. O teste nacional vai substituir de forma total ou parcial os vestibulares das três universidades federais de Pernambuco. “Entendemos os professores, mas estamos preocupados. A greve pode atrapalhar ainda mais a preparação dos alunos da rede pública para o Enem. Historicamente eles já estão em desvantagem em relação aos estudantes da rede particular”, comentou o presidente da Associação de Mães, Pais e Alunos das Escolas Públicas de Pernambuco, Manoel Santos.

O fera de biomedicina Deyvidsson Alan Jansen, de 18 anos, teme que a greve vá atrapalhá-lo. “Vou tentar formar grupos de estudo com os colegas ou ver o conteúdo que falta em casa mesmo”, reclamou o jovem, aluno do 3º ano da Escola Estadual Sizenando Silveira, na Boa Vista. O lamento tem razão de ser. As notas dos alunos de escolas públicas chegam a ser 40% menores que as dos alunos da rede privada do estado em exames como o Enem. Os resultados dos últimos anos do Enem estão disponíveis no site http://www.inep.gov.br.

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2 Comentários Add your own

  • 1. Cida Quelé  |  julho 8, 2009 às 10:22 pm

    Sou professora da rede estadual de PERNAMBUCO, com uma carga horária de 350 horas aulas, porque fiz e passei em dois concursos públicos. Já passei por mts governantes, mas atualmente, estamos vivendo o pior momento da educação em nosso estado, pois além de salários super defasados, temos que aturar também a arbitrariedade e o autoritarismo desses burocratazinhos da educação que estão no poder, e, que a meu ver, nunca sequer estiveram em uma sala de aula para lecionar. Vivemos sobre constante pressão, somos tratados como máquinas, não existem mais as capacitações profissionais de nível mais elevado que havia no governo anterior (ai que saudade), só recebemos cobranças e grosserias por parte dos funcionários públicos das GRES. E ainda temos que aturar um governador megalomaníaco que gasta fortunas em publicidade enganosa, que alardeia um piso salarial que nunca existiu, que nos envia notebooks superfaturados, pq não utilizou a verba como deveria ter sido utilizada, e que ainda nos fala em 14º salário, qdo sequer temos um salário digno!!!! SENHOR EDUARDO CAMPOS MAIS RESPEITO PELA NOSSA CATEGORIA, CASO O SENHOR NÃO SAIBA, SOMOS A ELITE PENSANTE DO NOSSO ESTADO. C H E G A DE TENTAR NOS ENGANAR! CHEGA DE ENGANAR A POPULAÇÃO! EXIGIMOS R E S P E I T O!!!

  • 2. CIDA QUELÉ  |  julho 9, 2009 às 3:36 pm

    Mais uma vez venho expressar a minha indignaçao para com esse GOVERNO PSEUDO SOCIALISTA do Sr. Eduardo Campos, cuja equipe de marcketing é excelente, e vive a alardear mentiras deslavadas cuja veracidade é muito fácil de ser comprovada. NUNCA RECEBEMOS O PISO SALARIAL DEVIDO. NÃO GANHAMOS 2 MIL REAIS POR 200 HORAS AULAS. NÃO CONHEÇO NENHUM COLEGA EM CUJA ESCOLA TENHA HAVIDO O BÔNUS DO 14º SALÁRIO. OS NOSSOS NOTEBOOKS FORAM SUPERFATURADOS.NÃO HÁ BANCO DE RESERVA DE PROFESSORES NA EDUCAÇÃO DE PERNAMBUCO, POR ISSO NUNCA PODEMOS GOZAR NOSSAS LICENÇAS PRÊMIOS E QUANDO ADOECEMOS TEMOS QUE NOS VIRAR PARA ENCONTRAR SUBSTITUTOS. Por tudo isso, gostaria de solicitar a adesão de todos aqueles colegas que ainda não estão em greve. Nao podemos ser fortes se não nos unirmos. Se somos a ELITE CULTURAL desse estado, usemos, pois, o nosso intelecto para entender que ESSE É O MOMENTO. NÃO PODEMOS MAIS VIVER SOB PRESSÃO, TRABALHANDO COMO ROBÔS, SEM ALMA, SEM VIDA E SEM DIGNIDADE. JUNTEM-SE A NÓS, COLEGAS E FAÇAMOS A DIFERENÇA!

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