Homenageados do carnaval 2012 do Recife declaram amor ao frevo

janeiro 3, 2012 at 7:33 am Deixe um comentário

O cantor Alceu Valença dedicou a vida à valorização e renovação do ritmo.
E o pintor Zé Cláudio avisa: ‘Meus quadros são em ritmo de frevo’.

O carnaval 2012 do Recife vai homenagear dois artistas de Pernambuco: o cantor Alceu Valença e o pintor Zé Cláudio. Esse último, nascido em Ipojuca, há 79 anos, é avesso a aparições públicas. Prefere permanecer no seu universo de tintas, papéis e paisagens. Já aquele primeiro saiu de São Bento do Una e virou a cara da folia pernambucana, levando aos palcos a poesia em forma de frevo, ciranda e maracatu.

Alceu vestido de conde Maurício de Nassau no canrval de 2006 (Foto: Divulgação)
Alceu Valença vestido de conde Maurício de Nassau
em 2006 (Foto: Divulgação)

Aos 65 anos, em 2012 Alceu já decidiu que vai se fantasiar do louco cavaleiro Dom Quixote de La Mancha para travar, mais uma vez, no reinado de Momo, uma batalha inglória: valorização da cultura local.

A ideia de vestir-se igual ao personagem da principal obra de Miguel de Cervantes surgiu quando Alceu deixou a barbicha crescer e começou a ser confundido com um espanhol. “Vai ver sou mesmo um espanhol de Valencia”, brinca. O tom fica sério ao justificar a escolha da fantasia. “Eu luto contra o moinho dos jabás, dos cartéis. É uma luta inglória, mas gloriosa enquanto luta. Pernambuco precisa se voltar para as suas tradições, não ser subserviente ao Sul. A gente não pode ficar calado”, disse.

E se o assunto é frevo, ele não para mesmo de falar, pois é inconformado com a falta de renovação no cenário. “Sabe por que o frevo não se renova? É que mesmo dentro de uma cultura tão rica, as coisas quase sempre acontecem de maneira oportunista. Agora, no centenário de Luiz Gonzaga, vai aparecer um bocado de gente se aproveitando para fazer homenagens, gente que não tem nada a ver com ele, fazendo arte sem sentimento, nem verdade. Arte não é entretenimento”, esbraveja.

O cantor vai gravar um DVD para lembrar o Rei do Baião. O repertório, com músicas de sua autoria, está montado e o projeto foi batizado de “Lua e eu”, em referência ao apelido de Gonzagão. Vale ressaltar que Alceu já tem dois discos dedicados ao mestre. A expetativa é que a gravação seja realizada ainda em 2012.

Alceu também está com um disco na manga. Será de frevo e já tem, pelo menos, dez composições inéditas. Mas só deve ser lançado em 2013. ‘Frevo da Lua’ foi a última música do gênero lançada por Alceu, no carnaval de 2011. “Eu já percebi que as minhas músicas demoram uns cinco anos para ‘pegar’. As rádios não tocam frevo, a divulgação é pouca. Como querem a renovação?”, reinicia o discurso com paixão.

Na verdade, ele não precisaria mais brigar por espaço na mídia. Mas, assim, também não seria o Alceu Valença, aquele que segue “agalopado”, título de uma de suas músicas. “Eu canto a dor, o amor, o desengano, e a tristeza infinita dos amantes… Dom Quixote liberto de Cervantes… Descobri que os moinhos são reais, entre feras, corujas e chacais… Viro pedra no meio do caminho, viro rosa, vereda de espinhos… Incendeio esses tempos glaciais”, cantarola.

José Cláudio na varanda de casa, em Olinda. (Foto: Katherine Coutinho / G1)
José Cláudio na varanda de casa, em Olinda.
(Foto: Katherine Coutinho / G1)

O frevo defendido por Alceu é também inspiração para Zé Cláudio. “Meus quadros são em ritmo de frevo. Eu busco fazer uma pintura que transmita a alegria do mundo. É como um frevo, algo para mandar a tristeza embora”, explica Zé, que se apaixonou pelo carnaval ainda criança. “Minha vida começou em Ipojuca, por isso ela é o centro de tudo para mim, mas o carnaval do Recife é uma inspiração única. Foi ali que eu comecei a ver o mundo”, diz, apaixonado.

Os embrulhos da loja do pai, Amaro Silva, foram as primeiras telas utilizadas pelo artista, que abandonou a faculdade de Direito em 1952 para se dedicar à arte. Até hoje, a maior parte de seu tempo é dedicado à pintura, tanto que a casa em que mora, em Olinda, é repleta de obras, telas e tintas, funcionando também como ateliê. “Isso é o que eu faço, a pintura faz parte de mim”, declara.

Para o artista plástico, ser homenageado pelo festa da capital pernambucana nada mais é que ter seu amor pelo carnaval reconhecido. “Adoro a cultura popular do carnaval, os ursos, aqueles blocos menores. É a criatividade do povo na rua”, conta Zé. A decoração do Recife neste ano vai ser baseada na obra dele. “Obras de toda a minha vida vão enfeitar a cidade, são coisas que eu já fiz, que fazem parte da minha história. Eu nunca imaginei poder ver o Recife como um outdoor do meu trabalho”, confessa o artista.

Homenageado também pelo Olinda Arte em Toda Parte de 2011, Zé Claudio é conhecido por ter reinaugurado a pintura de paisagem no Brasil. O motivo, para ele, é bem simples. “O povo pernambucano é apaixonado por sua terra. A arte é reflexo disso, por isso os coqueiros e casarios de Olinda aparecem também nas minhas obras”, lembra o artista.

pe360graus.com

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